António Gião: O físico de Reguengos de Monsaraz que se correspondeu com Einstein

Pelo Prof. Carlos Fiolhais

17 de Março, pelas 18h30

O prof. Carlos Fiolhais da U. de Coimbra, irá levar-nos a conhecer melhor o Físico Reguenguense António Gião, autor de uma vasta obra em várias áreas da Física que se correspondeu com Einstein.

António Gião (Reguengos de Monsaraz 1906 – Lisboa 1969) foi um dos físicos portugueses do século XX com maior número de publicações (total de 140). Trabalhou principalmente em meteorologia, mas deu também contributos para a física de partículas e para a cosmologia. O seu percurso académico começa em 1923 quando, vindo do Alentejo, se matricula-se em Físico-Química na Universidade de Coimbra. Mas ainda no 2.º ano, em 1925, parte para Estrasburgo, França, demandando o sonho de estudar meteorologia. No ano seguinte, ainda estudante, publica um breve artigo sobre nuvens na prestigiada revista Nature. No ano seguinte forma-se em Geofísica em Estrasburgo. Inicia então uma carreira internacional. Em 1927-1928 é enviado pelo Ministério da Marinha português à Noruega, mais propriamente a Bergen,  para estudar as teorias meteorológicas mais recentes. Em 1929-1931 trabalha em Paris, tendo publicado o livro La Mechanique Différentielle des Fronts e du Champ isallobarique (1930), prefaciado Émile Delcambre e Jacob Bjerknes, dois meteorologistas de topo. Em 1933 propõe a criação de um Instituto de Meteorologia em Portugal, proposta que não teve seguimento. Em 1946, regressado a Portugal em virtude da guerra, passa a habitar na mansão da sua família em Reguengos, tendo-se correspondido com Albert Einstein e Erwin Schroedinger. Em 1960 começa a última fase da sua vida, quando se muda para Lisboa, para ser professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigador científico da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1962 dirige o Centro de Cálculo da Fundação Gulbenkian. Em 1961 os seus alunos da Faculdade de Ciências queixam-se a Salazar das suas deficientes qualidades pedagógicas. Em 1962 entra em polémica com colegas quando rejeita um estudante de doutoramento de Sebastião e Silva. Em 1963 cria a revista Arquivo do Instituto Gulbenkian de Ciência da Fundação Gulbenkian e organiza em Lisboa o congresso Cosmological Models com a presença de Hermann Bondi  e de Pascual Jordan no qual  o jovem Stephen Hawking está presente. Morre em 1969 de doença renal.

Neta palestra, serão enfatizados os seus trabalhos de cosmologia, designadamente a sua contestação à teoria do Big Bang, que é uma das últimas antes desta teoria se impor na comunidade científica.

 

Carlos Fiolhais
Nascido em Lisboa em 1956, é Professor Catedrático de Física da Universidade de Coimbra (UC). Licenciou-se em Física em Coimbra em 1978 e doutorou-se em Física Teórica em Frankfurt am Main, Alemanha, em 1982.  Publicou mais de 50 livros, entre os quais Física Divertida, Darwin aos Tiros, Pipocas com Telemóvel, A Ciência e os seus inimigos, etc. (Gradiva, os três últimos com David Marçal); Ciência a Brincar (colecção infantil na Bizâncio); manuais de Física e Química (Texto Editores); História da Ciência em Portugal (Arranha Céus); Biblioteca Joanina (Imprensa da UC, com Paulo Mendes) e, em Os Jesuítas. Construtores da Globalização (CTT, com José Eduardo Franco). Codirige as Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa (Círculo de Leitores, 2017) e dirige a colecção Ciência Aberta da Gradiva. É colaborador dos jornais Público e As Letras entre as Artes. É responsável pelo blogue De Rerum Natura.

Investiga actualmente História das Ciências. É autor de mais de 150 artigos científicos, um dos quais com mais de 13.000 citações (o mais citado de sempre de autor em Portugal), e de centenas de artigos pedagógicos e de divulgação. Coordenou vários projectos de investigação e supervisionou duas dezenas de estudantes de pós-graduação. Presidiu ao Conselho Científico do European Physics Journal. Dirigiu a revista Gazeta de Física. Foi Director do Centro de Física Computacional da UC, onde instalou o maior computador nacional para cálculo científico, e da Biblioteca Geral da UC, onde concretizou vários projectos relativos ao livro e leitura.   Foi o responsável pela área do Conhecimento da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Dirige o Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra. É co-fundador e gestor da empresa Coimbra Genomics.

Ganhou em 1994 o Prémio União Latina de tradução científica, em 2004 o Globo de Ouro em Ciência da SIC, em 2005 o Prémio Inovação do Forum III Milénio, em 2006 o Prémio Rómulo de Carvalho da Universidade de Évora e em 2017 o Grande Prémio Ciência VIva – Montepio. Recebeu a Ordem do Infante D. Henrique em 2005.

 

 

Apoios:

  

Data / Hora
Date(s) - 17/03/2018
18:30 - 19:30

Localização
Observatório do Lago Alqueva

Categorias


Carregando mapa ....